VICTOR HUGO PONTES | OS TRÊS IRMÃOS

Sab
12 nov22
Centro Cultural Malaposta,
Odivelas, 20:30
Dom
13 nov22
Centro Cultural Malaposta,
Odivelas, 16:30

Sinopse do Espetáculo

Victor Hugo Pontes coloca em cena três bailarinos imaginados pelo escritor Gonçalo M. Tavares para esta criação. Abelard, Adler e Hadrian são “Os Três Irmãos”: quando se encontram naquele não-lugar, procuram o rasto dos seus pais, marcam a giz a sua ausência, lavam-se, comem juntos à mesa, carregam os corpos uns dos outros em sacrifício ritualizado, carregam-se aos ombros, vivem em fuga, praticam o jogo perigoso do encontro com o passado. Abelard, Adler e Hadrian tentam fazer a sua ligação à terra e sobreviver à existência uns dos outros, mesmo se esta houver sido esburacada a berbequim, enrodilhada numa trouxa de roupa, transportada num carrinho de mão.

“Não trabalho com palavras, mas sim com movimentos, o que vai tornando progressivamente difícil escrever sobre os meus espetáculos. Mas uso muitas vezes as palavras como ponto de partida, como meio e até como fim. Acabo quase sempre por retirá-las da boca dos intérpretes, ou por calar os autores. Desta vez, não foi assim: as palavras do Gonçalo M. Tavares estão presentes em “Os Três Irmãos”. São o motor da ação e surgem no espetáculo para serem lidas, e não ditas. A força da sua presença é por isso diferente – são palavras que não se ouvem, mas que conduzem o espectador. “Os Três Irmãos” é um projeto de vontades: trabalhar com um elenco pequeno, depois de sucessivas criações com elencos de mais de dez intérpretes; trabalhar a partir de um texto do Gonçalo M. Tavares, autor em cujo universo sempre tive vontade de mergulhar; trabalhar o aqui e o agora. Acontece que nunca imaginei que o aqui e o agora fosse este que estamos a viver. Não sendo possível prever o futuro, em momento algum teria sido imaginável há um ano, por exemplo, a realidade dos dias de hoje. Ainda não sei bem se isto é realidade ou ficção, aliás. Foi também por isso que desafiei o Gonçalo M. Tavares a escrever sobre «assuntos de família» para os intérpretes Dinis Duarte, Paulo Mota e Valter Fernandes. Depressa concluímos que seria uma família de três irmãos e que a ação seria sobre este presente cheio de ausência. Por exemplo, a ausência de pessoas que entretanto morreram e de quem não pudemos despedir-nos. Não era minha vontade retratar esta realidade-ficção que vivemos, e talvez por isso tenha preferido ficar de algum modo no passado, quando o contacto e o toque ainda nos era possível. É também desse passado que nos fala “Os Três Irmãos”. Vivemos agora numa anomalia e não numa nova normalidade, e a família é o que temos de mais seguro e de mais frágil. Como escreveu Tolstói em Anna Karenina: “Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”.
Victor Hugo Pontes

FICHA ARTÍSTICA
Direção Artística: Victor Hugo Pontes
Texto Original: Gonçalo M. Tavares
Interpretação: Dinis Duarte, Paulo Mota e Valter Fernandes
Música Original: Joana Gama e Luís Fernandes
Cenografia: F. Ribeiro
Desenho de Luz e Direção Técnica: Wilma Moutinho
Figurinos: Cristina Cunha e Victor Hugo Pontes
Consultoria Artística: Madalena Alfaia
Direção de Produção: Joana Ventura
Produção Executiva: Mariana Lourenço
Apoio à Residência: O Espaço do Tempo, Circolando, Instável - Centro Coreográfico e Centro Cultural Vila Flor
Coprodução: Nome Próprio, Casa das Artes de VN Famalicão, Cineteatro Louletano, São Luiz Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto, Teatro Viriato

A Nome Próprio é uma estrutura residente no Teatro Campo Alegre, no âmbito do programa Teatro em Campo Aberto e tem o apoio da República Portuguesa - Ministério da Cultura / Direcção-Geral das Artes
 
PREÇOS
Geral | 13,00€

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