Sinopse do Espetáculo
Há encontros que não se explicam apenas pela agenda cultural de uma cidade, mas por uma espécie de magnetismo ancestral que exige acontecer. A residência da Roda de Santo no B.leza inaugura-se não apenas como uma série de concertos, mas como um território de confluência e como o marco zero de uma travessia que celebra a diáspora como uma pátria viva. Na primeira noite desta jornada, o grupo radicado em Lisboa sela um pacto rítmico entre as cantigas de terreiro e o Batuku caboverdiano, convidando as Batucadeiras das Olaias para desenharem juntas o primeiro movimento deste ciclo, naquela que será, acima de tudo, uma profunda saudação às donas da encruzilhada.
Neste encontro, a matriz do canto funde-se ao tambor da memória para narrar as histórias de quem atravessou o mar. A Roda de Santo, que tem transmutado a liturgia dos terreiros em paisagens sonoras contemporâneas, encontra o seu reflexo no grupo das Olaias, nascido do sopro vital de Clarisse Monteiro. No palco, a "tchabeta" e a voz das mulheres que guardam a história de Cabo Verde na palma das mãos afirmam o Batuku na sua essência: um espaço de resistência feminina e de reconstrução de identidades que fizeram de Lisboa o seu porto. É o reconhecimento de que as margens do Atlântico estão unidas por um cordão umbilical de ritmo e resiliência que o tempo não apagou.
Este março carrega, por isso, um simbolismo duplo que coloca a mulher no centro do mapa.
Celebra-se o feminino enquanto força política e diaspórica, mas também enquanto potência espiritual. No universo da Roda, saudar as Pombagiras e entidades femininas é evocar a autonomia e o domínio dos próprios caminhos; é a exaltação da mulher que, mesmo longe da terra natal, é dona do seu destino e senhora das suas escolhas. Essa força espiritual encontra eco absoluto na resiliência das batucadeiras que, em versos autorais, narram as suas próprias odisseias e vitórias.
Entre o sagrado brasileiro e o batuku das ilhas, o que se ouvirá nesta primeira data é o som de um Atlântico que já não separa, mas que une vozes, memórias e tambores num único e contínuo movimento de celebração.
Abertura de portas às 21h00
PREÇOS
Entrada | 12€