Sinopse do Espetáculo
RIDER SONATA Nº8 é uma instalação coreográfica que parte do diálogo direto com as exposições Time Stands Still, do fotógrafo Jeff Wall e Transe, do artista plástico Rui Moreira, apresentadas no MAAT no ano de 2025. A partir das ideias de plâteau vivant, durabilidade e contemplação, é desenhado um espaço intimista de desaceleração numa espera partilhada entre máquina e carne, entre velocidade e o desejo de parar.
Através de um gesto coreográfico contido e altamente cinematográfico, o coreógrafo desafia a linearidade da narrativa e propõe uma espacialização da memória e do afeto, num palco onde o silêncio se sobrepõe ao gesto espetacular. O espaço torna-se assim uma cápsula, uma cápsula para escavar a poética da resistência, da juventude, e da ruína transformada em vestígio performativo.
Composta como um solo expandido a dois corpos e uma máquina, RIDER SONATA Nº 8 é a mais recente performance de Daniel Matos, acompanhado pela neuro-cientista e harpista Beatriz Belbut. A peça afirma-se como um estudo sobre o corpo em suspensão, um corpo em deriva e o tempo como matéria escultórica, na linha da investigação coreográfica e visual que o artista tem vindo a desenvolver.
Na penumbra de uma sala, um foco de luz recorta um pequeno território onde se desenvolve um gesto uma contenção sísmica — um acontecimento que está por vir ou que já passou, mas cujo rasto permanece no lugar. Instala-se uma coreografia de tensão entre presença e ausência, entre acidente e pausa, onde a imobilidade se torna potência política e poética. O trabalho convoca o tempo como matéria estética, colocando o espectador o mais próximo possível desta dilatação da memória, da contemplação do detalhe e da persistência da imagem.
Constrói-se então, entre performers e público, uma experiência de descanso e observação, uma sala de desaceleração envolta na música improvisada de uma harpa e embaladas por um mantra de desejos futuros para uma cidade possível.
"Construirei uma cidade onde os animais possam caminhar de pé; construirei uma cidade onde caberemos encolhidos, mas inteiros; construirei uma cidade com amor; construirei uma cidade”
Com esta peça, Daniel Matos oferece mais um capítulo na sua investigação sobre a fisicalidade da identidade, inscrevendo corpos em territórios fragmentados, paisagens de afeto e silêncio, onde o gesto performativo é simultaneamente ruína e recomeço.
Ficha Artística
Direção Artística, Criação, Interpretação e Concepção Plástica Daniel Matos
Consultoria Artística Alex Cassal, Sofia Dias & Vítor Roriz
Banda Sonora Original
Interpretada ao Vivo Beatriz Belbut
Desenho de Luz Daniel Matos
Voz Off Joana Simões
Fotografia e Vídeo João Catarino
Direção de Produção Joana Flor Duarte
Coordenação de Produção Diana Martins
Produção CAMA a.c.
Co.Produção Festival Cumplicidades e MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia Apoio Fundação Champalimaud
PREÇOS
Geral | 10€
Descontos
Cartão jovem | Maiores de 65 anos | Menores de 12 anos | Via Verde Cultura